Na verdade, esse foi o motivo pelo qual eu sequer cliquei no botão "publicar nova postagem" hoje. O eco4planet é minha página inicial faz um tempo, e sempre tem artigos interessantes no seu blog.
Hoje, descobri (mas já desconfiava) que os peixes são afetados pela poluição sonora nos oceanos, o que me deixou infeliz, tentando imaginar uma forma de contrabalançar esse efeito, tentando imaginar formas de reduzir o impacto da ocupação humana, e ao mesmo tempo tentando imaginar qual seria a alternativa aos sonares que usamos em barcos hoje. Essa infelicidade durou pouco, porque também li que a Nokia está lançando um carregador de celular que funciona em bicicletas (pedalando acima de 6km/h). Pode parecer um nada, mas achei lindo. Mas o que me fez mais feliz ainda, foi esta matéria aqui:
Bactéria presente no solo pode melhorar o aprendizado e reduzir a ansiedade
Sabe o que diz? Ratinhos que ingerem essa bactéria conseguem resolver problemas com muito mais facilidade que ratinhos que não ingeriram. E outra coisa, há efeitos a longo prazo, mas são reduzidos. Para manter o "coeficiente de inteligência" alto, é preciso se expor freqüentemente à bactéria. O que ela faz não ficou muito claro, além de que "pode estimular o crescimento de alguns neurônios e melhorar a capacidade de aprendizado" e "que ratos que receberam os microorganismos mortos aumentaram seus níveis de serotonina e diminuiu a ansiedade".
Ou seja: crianças que brincam na terra, na lama, no mato, que inalam essas bactérias com freqüência... têm um estímulo de aprendizado. E melhor ainda... aparentemente, os adultos também. Ou seja, vamos viajar pro mato! Vamos criar nossos filhos no mato! Consegui a desculpa perfeita!
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Feriado
um pequeno resumo dessa semana, que foi boa:
na terça, assisti Alice, e gostei muito.
na quarta, cheguei em casa e jantei sozinha com a mamis, abrimos um vinho e ela falou que queria ir no cinco a seco comigo e com as meninas. escrevi uns 3 minicontos.
na quinta, foi o dia mais chato em muito tempo, eu não queria fazer nada na internet, fiquei bodeada o dia inteiro, até que descobri uma flashmob pra ir às 17h, e ao mesmo tempo os meninos ligaram para perguntar qual era o programa do dia. fomos no bowl in jaguaré, que é boliche, fliperama, jogos diversos (pebolim, sinuca), videokê, lanchonete. fomos Marcos, Fê, Caio, Alex e eu. foi bem divertido, jogamos duas partidas de boliche, dançamos no DDR (lógico que fui mal, simplesmente não tenho essa coordenação toda), tomamos um chopp, depois fomos pro videoke. cantamos algumas músicas, e o caio até conseguiu me fazer dançar, não pareceu tão impossível quanto da última vez que tentei. terminamos a noite no Finnegans, com a Polá, Sara e Diego.
na sexta, acordei tarde, meu avô veio almoçar em casa, fiquei na sala com ele, assistindo tv com meu note no colo, conversamos um pouco, mas ele logo dormiu. minha mãe saiu para levar meu vô na farmácia e pra casa, e quando ela me disse que a marina não atendia o telefone, fiquei preocupada e me lembrei que não falava com a má desde as 16h do dia anterior (e ela estava com um carro). mandei uma mensagem pedindo notícias, e liguei pro Diogo (ela deveria ter ido assistir filme com ele à noite), mas ele não sabia onde ela estava, nem com quem. depois de um momento de desespero da minha parte (no qual pensei em hospitais, delegacias, sequestradores, e me forcei a ficar calma), ligamos pro Poro, que deu o telefone do Shalom e mais os nomes de alguns amigos que poderiam saber onde ela estava. Felizmente, ela estava com o Shalom, vindo pra casa, e pediu desculpas por não dar notícias. eu só fiquei feliz por ela estar bem, e me lembrei de que más notícias chegam rápido. a vivi chegou cedo, ficamos assistindo friends e esperando a janta. a má chegou, fez as malas pra viajar, saiu, a mamis chegou, jantamos e fomos pro cinco a seco mais cedo que o normal (afinal, estava chovendo e ia lotar o saguão de espera do show). esperamos tomando um vinho, vimos os pedros e o dani chegarem, conversamos, foi bom. sentamos novamente na primeira fila, e o show foi lindo, mesmo o pequeno defeito que deu na "deixe estar". depois, vinho e papo na casa da mamis, voltamos, a vivi dormiu aqui.
sábado foi tranquilo, acordei tarde, assisti "o jardim secreto", fizemos fondue no winesday, acabou vindo bastante gente, muito gostoso. acabei ficando um pouco enjoada do vinho, mas não teve problema. o pessoal foi embora lá pelas 2h30.
domingo foi sussa, filmes, gatos... ah, é, na quinta eu também fui à cobasi, e lá, curiosamente, tinha um porsche conversível no estacionamento. completamente anacrônico (ou o similar para fora de lugar). fiquei imaginando que tipo de animal o dono desse porsche teria, e no final rasguei um pedaço do meu cupom fiscal (para não dar meu CPF junto), escrevi um recadinho bem humorado e deixei no vidro do carro. sem telefone nem nada, não me entendam mal. só pensei que merecia uma pequena piada, e talvez a pessoa sorrisse ao ler. enfim. domingo à noite fomos ao cinema no bourbon, assistir "sex and the city" e comer no outback. o filme tinha potencial, mas aparentemente algum sheik fez um patrocínio que levou as personagens para o oriente médio, nas roupas mais ridículas que eu já vi, com a história mais fraca possível. ainda bem que as batatas, cebola e costelas do outback compensaram tudo.
No final, fiz menos trabalho de francês do que deveria ter feito, e agora tenho que terminar. Acho que hoje foi um post bem "diário de menina", né? Mas às vezes é bom anotar para lembrar alguns dias assim.
na terça, assisti Alice, e gostei muito.
na quarta, cheguei em casa e jantei sozinha com a mamis, abrimos um vinho e ela falou que queria ir no cinco a seco comigo e com as meninas. escrevi uns 3 minicontos.
na quinta, foi o dia mais chato em muito tempo, eu não queria fazer nada na internet, fiquei bodeada o dia inteiro, até que descobri uma flashmob pra ir às 17h, e ao mesmo tempo os meninos ligaram para perguntar qual era o programa do dia. fomos no bowl in jaguaré, que é boliche, fliperama, jogos diversos (pebolim, sinuca), videokê, lanchonete. fomos Marcos, Fê, Caio, Alex e eu. foi bem divertido, jogamos duas partidas de boliche, dançamos no DDR (lógico que fui mal, simplesmente não tenho essa coordenação toda), tomamos um chopp, depois fomos pro videoke. cantamos algumas músicas, e o caio até conseguiu me fazer dançar, não pareceu tão impossível quanto da última vez que tentei. terminamos a noite no Finnegans, com a Polá, Sara e Diego.
na sexta, acordei tarde, meu avô veio almoçar em casa, fiquei na sala com ele, assistindo tv com meu note no colo, conversamos um pouco, mas ele logo dormiu. minha mãe saiu para levar meu vô na farmácia e pra casa, e quando ela me disse que a marina não atendia o telefone, fiquei preocupada e me lembrei que não falava com a má desde as 16h do dia anterior (e ela estava com um carro). mandei uma mensagem pedindo notícias, e liguei pro Diogo (ela deveria ter ido assistir filme com ele à noite), mas ele não sabia onde ela estava, nem com quem. depois de um momento de desespero da minha parte (no qual pensei em hospitais, delegacias, sequestradores, e me forcei a ficar calma), ligamos pro Poro, que deu o telefone do Shalom e mais os nomes de alguns amigos que poderiam saber onde ela estava. Felizmente, ela estava com o Shalom, vindo pra casa, e pediu desculpas por não dar notícias. eu só fiquei feliz por ela estar bem, e me lembrei de que más notícias chegam rápido. a vivi chegou cedo, ficamos assistindo friends e esperando a janta. a má chegou, fez as malas pra viajar, saiu, a mamis chegou, jantamos e fomos pro cinco a seco mais cedo que o normal (afinal, estava chovendo e ia lotar o saguão de espera do show). esperamos tomando um vinho, vimos os pedros e o dani chegarem, conversamos, foi bom. sentamos novamente na primeira fila, e o show foi lindo, mesmo o pequeno defeito que deu na "deixe estar". depois, vinho e papo na casa da mamis, voltamos, a vivi dormiu aqui.
sábado foi tranquilo, acordei tarde, assisti "o jardim secreto", fizemos fondue no winesday, acabou vindo bastante gente, muito gostoso. acabei ficando um pouco enjoada do vinho, mas não teve problema. o pessoal foi embora lá pelas 2h30.
domingo foi sussa, filmes, gatos... ah, é, na quinta eu também fui à cobasi, e lá, curiosamente, tinha um porsche conversível no estacionamento. completamente anacrônico (ou o similar para fora de lugar). fiquei imaginando que tipo de animal o dono desse porsche teria, e no final rasguei um pedaço do meu cupom fiscal (para não dar meu CPF junto), escrevi um recadinho bem humorado e deixei no vidro do carro. sem telefone nem nada, não me entendam mal. só pensei que merecia uma pequena piada, e talvez a pessoa sorrisse ao ler. enfim. domingo à noite fomos ao cinema no bourbon, assistir "sex and the city" e comer no outback. o filme tinha potencial, mas aparentemente algum sheik fez um patrocínio que levou as personagens para o oriente médio, nas roupas mais ridículas que eu já vi, com a história mais fraca possível. ainda bem que as batatas, cebola e costelas do outback compensaram tudo.
No final, fiz menos trabalho de francês do que deveria ter feito, e agora tenho que terminar. Acho que hoje foi um post bem "diário de menina", né? Mas às vezes é bom anotar para lembrar alguns dias assim.
domingo, 23 de maio de 2010
Petites Planètes
Um tempo atrás, eu achei por acaso uma foto linda, e descobri o mundo dos small worlds, petites planètes, ou projeção estereográfica.
Basicamente, você tira uma fotografia panorâmica 360 graus, do nadir ao zênite, e depois rotaciona em torno do nadir, deformando conforme a parte superior se estica para fazer a rotação. Fica uma coisa linda, como esta:

(tirada desta galeria)
Os pequenos planetas lembram algo do pequeno príncipe, e eu não consigo evitar a sensação de magia que emana deles. Tem uns tão lindos, outros misteriosos, outros que mostram uma vida de cidade grande, outros despovoados... Porcurem no google! Vou colocar aqui alguns links de planetas que eu gostei, dos que encontrei hoje, mas ainda não achei de novo o planeta que até agora foi o meu preferido, o mais caricato.
Este aqui é uma linda catedral à noite... e este é uma pitoresca vila de pescadores. Explorem o álbum para mais alguns que são lindos, e principalmente urbanos, como este em Veneza.
Gosto particularmente do aspecto de conto solitário deste, da árvore e casinha deste, o aspecto de eclipse que temos neste... Este é uma vilinha medieval, este tem um campo bonito, e este é pouco maior que a raiz das árvores que sustenta. Também gosto deste jardim (by beeloba), mas se eu for colocar todos os que eu gostei, não vou acabar nunca.
Também há os que começam a fazer coisas diferentes, como esta, e há os que rotacionam em torno do zênite, fazendo túneis assim.
Aqui tem um video de uma divulgação de um evento, que usa alguns planetinhas.
É isso, só queria compartilhar com vocês.
Basicamente, você tira uma fotografia panorâmica 360 graus, do nadir ao zênite, e depois rotaciona em torno do nadir, deformando conforme a parte superior se estica para fazer a rotação. Fica uma coisa linda, como esta:

(tirada desta galeria)
Os pequenos planetas lembram algo do pequeno príncipe, e eu não consigo evitar a sensação de magia que emana deles. Tem uns tão lindos, outros misteriosos, outros que mostram uma vida de cidade grande, outros despovoados... Porcurem no google! Vou colocar aqui alguns links de planetas que eu gostei, dos que encontrei hoje, mas ainda não achei de novo o planeta que até agora foi o meu preferido, o mais caricato.
Este aqui é uma linda catedral à noite... e este é uma pitoresca vila de pescadores. Explorem o álbum para mais alguns que são lindos, e principalmente urbanos, como este em Veneza.
Gosto particularmente do aspecto de conto solitário deste, da árvore e casinha deste, o aspecto de eclipse que temos neste... Este é uma vilinha medieval, este tem um campo bonito, e este é pouco maior que a raiz das árvores que sustenta. Também gosto deste jardim (by beeloba), mas se eu for colocar todos os que eu gostei, não vou acabar nunca.
Também há os que começam a fazer coisas diferentes, como esta, e há os que rotacionam em torno do zênite, fazendo túneis assim.
Aqui tem um video de uma divulgação de um evento, que usa alguns planetinhas.
É isso, só queria compartilhar com vocês.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Domingo
Domingo foi um dia bonito.
Fui pegar o Trem das Onze na Luz, com meu pai. Passeamos no parque da Luz e fomos na Pinacoteca. Comemos coxinha e conversamos.
Depois, o Ziza veio aqui em casa, com Alê e filhos. O Bruno chegou primeiro no portão e já perguntou se a Alice estava aqui. Não. Ele é uma gracinha. Depois, quando eu estava assistindo o Ennzo jogar videogame, o Ziza sentou do lado e ficou conversando comigo. Sobre o coração.
Sabe, família é o máximo mesmo. Quem imaginaria meu tio me dando esse tipo de apoio?
Fora isso, ainda estou gripada. Aposto o que vocês quiserem que é psicossomático.
Isso quer dizer que até amanhã ou depois eu saro, porque cansei.
Fui pegar o Trem das Onze na Luz, com meu pai. Passeamos no parque da Luz e fomos na Pinacoteca. Comemos coxinha e conversamos.
Depois, o Ziza veio aqui em casa, com Alê e filhos. O Bruno chegou primeiro no portão e já perguntou se a Alice estava aqui. Não. Ele é uma gracinha. Depois, quando eu estava assistindo o Ennzo jogar videogame, o Ziza sentou do lado e ficou conversando comigo. Sobre o coração.
Sabe, família é o máximo mesmo. Quem imaginaria meu tio me dando esse tipo de apoio?
Fora isso, ainda estou gripada. Aposto o que vocês quiserem que é psicossomático.
Isso quer dizer que até amanhã ou depois eu saro, porque cansei.
Ditado
Sabe, eu nunca acreditei quando as pessoas diziam "longe dos olhos, longe do coração".
Sempre tive pessoas muito entranhadas no meu coração que estão indeterminadamente longe dos meus olhos.
Mas agora talvez seja a hora de aprender a fazer esse ditado virar verdade.
Sempre tive pessoas muito entranhadas no meu coração que estão indeterminadamente longe dos meus olhos.
Mas agora talvez seja a hora de aprender a fazer esse ditado virar verdade.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Noite
Esta noite de hoje está fria, e minha garganta dói. Mas achei o reminiscente de uma outra noite mais bela, de tanto tempo atrás, novamente 2003.
Noite
Ah... o ar da noite é pura magia.
Esse cheiro de dia terminando, esfriando, as emoções acalmando, Deus não podia ter inventado coisa melhor que esse suave frescor... O cheiro que vem no vento é tudo, é nada, é um pouco da vida da gente, tudo isso catalisado e acalmado, o burburinho vai diminuindo paradar lugar às atividades delícias da noite... barzinhos, banhos, cafés, livros nas varandas... e as baladas, com suas meninas ensandecidas, rapazes instintivados e drogas e música e loucuras, as baladas se isolam desse ar sadio, mas dele aproveitam a escuridão e a diversidade de vida que por ele passou.
A noite é dos corações inquietos.
É da lua. Das corujas. Dos automóveis. Das pessoas e dos cães vadios... A noite após a pizzaria foi a Paulista e seus carros exibicionistas, os recantos entre os prédios, os riacho entre as flores, conversa ao luar, violão no coração de São Paulo.
A noite é mãe de amores, é avó de paixões, babá dos enamorados. Cuida dos gatos nos telhados e dos mendigos dormindo sob as barracas nas quais de dia vendem artigos mil.
É a noite.
A noite me traz uma melancolia repleta de satisfação.
E meu irmão me traz uma serenata de amor.
Noite
Ah... o ar da noite é pura magia.
Esse cheiro de dia terminando, esfriando, as emoções acalmando, Deus não podia ter inventado coisa melhor que esse suave frescor... O cheiro que vem no vento é tudo, é nada, é um pouco da vida da gente, tudo isso catalisado e acalmado, o burburinho vai diminuindo paradar lugar às atividades delícias da noite... barzinhos, banhos, cafés, livros nas varandas... e as baladas, com suas meninas ensandecidas, rapazes instintivados e drogas e música e loucuras, as baladas se isolam desse ar sadio, mas dele aproveitam a escuridão e a diversidade de vida que por ele passou.
A noite é dos corações inquietos.
É da lua. Das corujas. Dos automóveis. Das pessoas e dos cães vadios... A noite após a pizzaria foi a Paulista e seus carros exibicionistas, os recantos entre os prédios, os riacho entre as flores, conversa ao luar, violão no coração de São Paulo.
A noite é mãe de amores, é avó de paixões, babá dos enamorados. Cuida dos gatos nos telhados e dos mendigos dormindo sob as barracas nas quais de dia vendem artigos mil.
É a noite.
A noite me traz uma melancolia repleta de satisfação.
E meu irmão me traz uma serenata de amor.
domingo, 9 de maio de 2010
Janela
Vou colocar aqui um texto que escrevi anos atrás, mais precisamente em 2003. Até é baseado em fatos reais, mas é principalmente uma obra literária.
Janela
Do meu telhado, eu vejo uma janela. De fato, vejo muitas. Algumas sempre abertas, outras nunca. Há aquelas com flores, e as sisudas, as cheias de gatos. Aquela uma, porém, é mistério. Havia um dinossauro de montar fosforescente. Sumiu. Havia uma guitarra. Desapareceu. Inúmeras vezes as venezianas abertas me mostraram as portas escuras do armário aberto. Ainda outras, roupas no peitoril.
No entanto, nunca nela vi gente. Gente nenhuma. Movimento nulo. Mistério.
A janela me observava. Eu andava no telhado. Cantava com minha irmã. Jogava bola. Buscava bola. Fazia churrasco. Varria. Chovia. A janela me observando, sempre.
Ela sabia de meus segredos, dos choros secretos nos recantos das telhas, das músicas alegres, das lições de matemática, e eu, que sabia dela? Sabia que era puro medo, um olhar sempre presente, avassalador.
Passaram-se anos.
E ele me vira: você é minha vizinha!
Eu: hein?
Eu já te vi no telhado!
Mas como?
A janela é minha.
Os minutos. Ele sabia de tudo de mim. O que eu sabia?
Era seu o dinossauro da janela?
Ele: nossa.
Medo.
Era tudo o que eu sabia. Ele sabia tudo. Mas ele invadia o telhado, eu invadi o quarto. Surpresa.
Por que no telhado?
Por que o dinossauro?
Encaramo-nos. Insustentáveis. Dois que se sabiam em detalhes indizíveis e insabíveis. Começo de tudo?
Fim de tudo.
Não subi no telhado.
Ele fechou a janela.
Mudamos de casa.
Janela
Do meu telhado, eu vejo uma janela. De fato, vejo muitas. Algumas sempre abertas, outras nunca. Há aquelas com flores, e as sisudas, as cheias de gatos. Aquela uma, porém, é mistério. Havia um dinossauro de montar fosforescente. Sumiu. Havia uma guitarra. Desapareceu. Inúmeras vezes as venezianas abertas me mostraram as portas escuras do armário aberto. Ainda outras, roupas no peitoril.
No entanto, nunca nela vi gente. Gente nenhuma. Movimento nulo. Mistério.
A janela me observava. Eu andava no telhado. Cantava com minha irmã. Jogava bola. Buscava bola. Fazia churrasco. Varria. Chovia. A janela me observando, sempre.
Ela sabia de meus segredos, dos choros secretos nos recantos das telhas, das músicas alegres, das lições de matemática, e eu, que sabia dela? Sabia que era puro medo, um olhar sempre presente, avassalador.
Passaram-se anos.
E ele me vira: você é minha vizinha!
Eu: hein?
Eu já te vi no telhado!
Mas como?
A janela é minha.
Os minutos. Ele sabia de tudo de mim. O que eu sabia?
Era seu o dinossauro da janela?
Ele: nossa.
Medo.
Era tudo o que eu sabia. Ele sabia tudo. Mas ele invadia o telhado, eu invadi o quarto. Surpresa.
Por que no telhado?
Por que o dinossauro?
Encaramo-nos. Insustentáveis. Dois que se sabiam em detalhes indizíveis e insabíveis. Começo de tudo?
Fim de tudo.
Não subi no telhado.
Ele fechou a janela.
Mudamos de casa.
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