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terça-feira, 10 de maio de 2011

Slut Walk

É engraçado como o mundo ainda não dá liberdade às mulheres de se vestir como quiserem.

Em 2009, tivemos aqui em São Paulo o caso da Geisy Arruda (e aproveito para linkar o excelente blog da Lola), uma estudante universitária que foi insultada e ameaçada por vestir um vestido curto, tendo que ser retirada do local pela polícia com medo de ser agredida fisicamente. Coisa de homens das cavernas mesmo.

Foi tanto uma demonstração horrível de machismo por parte dos outros estudantes e da diretoria da faculdade (além de algumas opiniões públicas por aí), quanto uma demonstração excelente do quanto uma parcela da nossa sociedade está evoluída (e, neste caso, a parcela maior, que conseguiu revogar a expulsão da menina e criar manifestações de direito das mulheres). Mesmo que a Geisy não soubesse o motivo da comoção na mídia, seus direitos teriam sido defendidos. Foi lindo. Agora nós podemos ir à faculdade com um pouco menos de roupa e esperar que um pouco menos de gente fale alguma coisa.

Bom, em janeiro deste ano, em Toronto, durante uma palestra sobre segurança para a comunidade, um policial sugeriu que mulheres devem evitar se vestir como "piranhas" para não serem agredidas sexualmente. Ou como sluts, em inglês. A reação foi forte e generalizada, gerando a Slut Walk, uma passeata defendendo o direito das mulheres de se vestir como quiserem e não serem atacadas por qualquer homem descontrolado nas ruas. Faz sentido para vocês?

Tem muito mais fotos no site da Uol, mas eu queria mesmo era colocar o texto dos cartazes aqui. Eles são muitas vezes espertinhos ou engraçados, mas o importante é que são concisos e mexem com conceitos que tem gente que ainda precisa aprender.

A dress is not a yes - Um vestido não significa um sim.
Not asking for it - Eu não estou pedindo! (tipo: "ela tava pedindo pra isso acontecer")
NO means NO regardles of how often I say YES - NÃO siginifica NÃO, não importa a frequência com que eu diga SIM
It's my hot body, I do what I want - O corpo gostoso é meu e eu faço o que quiser com ele
SEX is something people do together, NOT something you do to someone else - SEXO é algo que as pessoas fazem juntas, NÃO algo que você faça em outra pessoa.
Clothing is an option, rape isn't - Roupa é uma opção, estupro não.
Don't tell us how to dress, tell men not to rape - Não fale como a gente tem que se vestir, fale para o homens não nos estuprarem.

Junto com alguns cartazes de apoio:

Slut pride - "Piranha" com orgulho
Stop slut shaming - Parem de humilhar as "piranhas"
I'm with slut - Estou com as "piranhas"
Don't be a closet slut - Não seja uma "piranha" no armário
Down with rape culture - Abaixo a cultura de estupro

Acho que o importante é isso: uma mulher, feia ou bonita, deveria poder andar pelada na rua sem correr o risco de ser assediada. É ridículo alguém apoiar a idéia de que os homens são seres primitivos que não conseguem se controlar ao ver um vestido mais curto ou uma maquiagem mais provocante. É mais ridículo ainda um homem apoiar essa idéia, e toda vez que eu ouço um defendendo esse ponto, eu penso que ele é um estuprador em potencial. É só aparecer uma "tentação" forte o suficiente e ele vai cometer um crime?

PS: a Lola explicou melhor e discutiu um pouco mais essa marcha no blog dela.

terça-feira, 22 de março de 2011

Pedacinho

Gente, hoje eu li uma coisa que achei linda, por isso quero anotar para a posteridade.

"Eu quero rêver Paris."

Rêver é o verbo sonhar em francês. Não é belo?

Eu fico só imaginando as implicações... as implicações do desejo de rever alguém, de rever um lugar, ou de sonhar com ele.

Lindo lindo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Padrão de beleza

Eu nunca parei para pensar em algum motivo específico de eu achar mulheres morenas tão mais bonitas que as loiras (em geral). Sempre defendi o seguinte argumento: o cabelo loiro suaviza as feições, então mesmo as loiras não tão bonitas acabam parecendo mais bonitas. No entanto, justamente porque o cabelo moreno destaca os traços, uma morena bonita será sempre mais bonita que uma loira bonita.

Mas o que acontece é que eu realmente prefiro as morenas, independente de quaisquer teorias, e hoje eu estava pensando no porquê disso.

Comecei com minhas heroínas infantis e infanto-juvenis: Jeniffer Connelly em Labirinto, a Laura Ingalls, a Megera Domada, a Jasmin, Pocahontas, Mulan, Zetta-Jones em Zorro, até mesmo a Natasha em Vamp... minha mãe, minha prima Puca. A Marion de Robin Hood, a Morgana do Rei Arthur, Arwen. Jo das Mulherzinhas, Fleur dos Forsythe. Matilda.

Já as loiras: Bela Adormecida, Cinderela, Mary do jardim secreto, Mary da Laura Ingalls, Gwynevere, Cachinhos Dourados, Rapunzel. Talvez precise de ajuda para lembrar de mais.

A Princesinha se salva bem. Era loiríssima e eu a admirava, assim como à Polianna. A pequena sereia Ariel é um caso dúbio, por ser ruiva... Mas dá para notar a diferença? Para mim, as loiras estavam sempre precisando ser resgatadas, eram frágeis, enquanto as morenas não se intimidavam e muitas vezes participavam ativamente da história.

Também me lembro que durante um longo tempo, eu era a loira do meu meio. Porque a Puca era a minha companheira de aventuras, e era morena, e forte, tomava as decisões, e eu a idolatrava. A Marina, mais loira que eu, era a que devia ser protegida. Sabe o que é engraçado? Tanto eu como a Má gostávamos de ser as meninas fortes, e a Puca gostava de ser a princesa, gostava de ser feminina. Eu queria ter cabelo preto e cacheado, queria vestir macacão e ajudar a montar telhado ou cortar cana. A Marina queria se livrar dos vestidinhos e saltar de pedra em pedra, como Mowgli (outro moreno). Ainda bem que a Renée Zelwegger e a Scarlett Johansson apareceram para me ajudar a amar as loiras fortes também!

Claro que hoje em dia consigo olhar para as pessoas e tentar ver através das suas aparências, mas que o preconceito está em algum lugar do meu subconsciente, está. Fica interferindo na primeira impressão. Interfere na minha compreensão de uma personagem fictícia.

Pelo menos hoje em dia me sinto feliz de cabelos castanhos. A maior parte do tempo!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Natureza x Inteligência

Na verdade, esse foi o motivo pelo qual eu sequer cliquei no botão "publicar nova postagem" hoje. O eco4planet é minha página inicial faz um tempo, e sempre tem artigos interessantes no seu blog.

Hoje, descobri (mas já desconfiava) que os peixes são afetados pela poluição sonora nos oceanos, o que me deixou infeliz, tentando imaginar uma forma de contrabalançar esse efeito, tentando imaginar formas de reduzir o impacto da ocupação humana, e ao mesmo tempo tentando imaginar qual seria a alternativa aos sonares que usamos em barcos hoje. Essa infelicidade durou pouco, porque também li que a Nokia está lançando um carregador de celular que funciona em bicicletas (pedalando acima de 6km/h). Pode parecer um nada, mas achei lindo. Mas o que me fez mais feliz ainda, foi esta matéria aqui:

Bactéria presente no solo pode melhorar o aprendizado e reduzir a ansiedade

Sabe o que diz? Ratinhos que ingerem essa bactéria conseguem resolver problemas com muito mais facilidade que ratinhos que não ingeriram. E outra coisa, há efeitos a longo prazo, mas são reduzidos. Para manter o "coeficiente de inteligência" alto, é preciso se expor freqüentemente à bactéria. O que ela faz não ficou muito claro, além de que "pode estimular o crescimento de alguns neurônios e melhorar a capacidade de aprendizado" e "que ratos que receberam os microorganismos mortos aumentaram seus níveis de serotonina e diminuiu a ansiedade".

Ou seja: crianças que brincam na terra, na lama, no mato, que inalam essas bactérias com freqüência... têm um estímulo de aprendizado. E melhor ainda... aparentemente, os adultos também. Ou seja, vamos viajar pro mato! Vamos criar nossos filhos no mato! Consegui a desculpa perfeita!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Comentário sobre a polêmica

Acho que eu não deixei claro o quão carnal, pessoal, selvagem, visceral, absolutamente individual, é a decisão da mulher sobre seu próprio corpo ou seu próprio filho.

Não consegui passar exatamente meus sentimentos no assunto, mas fica pra próxima.

PS: Ná, saudades!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Polêmica

Hoje eu estava lendo sobre um dos temas mais polêmicos da humanidade atual: o aborto.

Aparentemente, o cerne da discussão gira em torno de se definir em que momento da gravidez o feto é considerado uma vida humana ou não. Digo vida humana, porque se formos defender o direito à vida, não podemos comer nem plantas. Há os que digam que a partir do momento em que houve fecundação, o feto já é um ser humano e, portanto, torna-se assassinato eliminá-lo. Há os que digam que isso só passar a ser assim a partir da 12a semana, quando os receptores neurais já estão mais desenvolvidos.

Sinceramente, andei lendo descrições do procedimento de aborto de bebês mais formados e fiquei um pouco horrorizada - a partir do momento em que se deve parti-lo antes de retirá-lo... já se torna demais para mim.

Mas essa sou eu. O que andei pensando é que o fato da discussão girar em torno disso talvez seja uma intelectualização absurda de algo que é muito mais inerente à natureza. E apesar de saber que há muitas mulheres contra o aborto, ainda acho que não deixa de ser uma discussão um tanto machista. Para mim, é essencial o sentimento da mulher nessa história. Sendo mulher, eu sinto que alguém que fosse forçada a gerar e criar um filho que ela não quis, é bem possível que rejeite a criança. Eu, pessoalmente, acho que não rejeitaria, mas consigo entender plenamente o sentimento, e nunca forçaria uma mulher a ter um filho.

Na natureza, os animais matam filhotes recém nascidos o tempo todo. E não são só os defeituosos - eles matam se há filhotes demais para o número de mamas, se a comida está escassa, ou por motivos que nem desconfiamos - simplesmente se deitam sobre a cria. As mulheres humanas praticam abortos aos milhares desde que existe tradição oral. Desde sempre existiram ervas, mandingas, procedimentos dos mais diversos. Desde sempre, as mulheres arriscam a própria vida para não gerar filhos.

Como é que você vira para alguém e diz - se vira, inche, engorde, tenha enjôos, sue, coma feito uma condenada, largue os estudos, saia do trabalho, desista dos seus planos dos próximos 5, 10, 20 anos, chore, se sinta mal, passe pela dor do parto, ganhe um bebê, tenha as dores da amamentação, arranje novas amigas, procure escola, pague a escola, dê vacinas... Esqueça a sua vida em prol dessa pequena célula que está aí dentro de você.

Lógico, você fez besteira, você que se vire - com isso eu concordo. Mas eu não vou nunca forçar ninguém a ter um filho. Por mais que a experiência seja maravilhosa, a dor de cabeça também é, e você tem que estar preparada para aceitá-la. É uma tarefa enorme, que vai durar o resto da sua vida.

Sem contar que o aborto é um problema de saúde pública. Hoje, a maior parte das organizações pró-aborto procuram reduzir os problemas que ocorrem devido a abortos ilegais e mail feitos, mais do que querem realmente defender a idéia de que um feto é ou não é um ser humano.

Hoje em dia, minha posição é essa: eu não recomendo o aborto, mas acho que a mãe deve decidir. Se eu tiver a oportunidade de argumentar com a pessoa, vou tentar convencê-la a manter o filho, mas obrigar, nunca.

Lógico - aqui no Brasil o aborto é ilegal. É crime, assassinato. São palavras fortes o suficiente para pesar na consciência de qualquer uma.