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domingo, 23 de maio de 2010

Petites Planètes

Um tempo atrás, eu achei por acaso uma foto linda, e descobri o mundo dos small worlds, petites planètes, ou projeção estereográfica.

Basicamente, você tira uma fotografia panorâmica 360 graus, do nadir ao zênite, e depois rotaciona em torno do nadir, deformando conforme a parte superior se estica para fazer a rotação. Fica uma coisa linda, como esta:


(tirada desta galeria)

Os pequenos planetas lembram algo do pequeno príncipe, e eu não consigo evitar a sensação de magia que emana deles. Tem uns tão lindos, outros misteriosos, outros que mostram uma vida de cidade grande, outros despovoados... Porcurem no google! Vou colocar aqui alguns links de planetas que eu gostei, dos que encontrei hoje, mas ainda não achei de novo o planeta que até agora foi o meu preferido, o mais caricato.

Este aqui é uma linda catedral à noite... e este é uma pitoresca vila de pescadores. Explorem o álbum para mais alguns que são lindos, e principalmente urbanos, como este em Veneza.

Gosto particularmente do aspecto de conto solitário deste, da árvore e casinha deste, o aspecto de eclipse que temos neste... Este é uma vilinha medieval, este tem um campo bonito, e este é pouco maior que a raiz das árvores que sustenta. Também gosto deste jardim (by beeloba), mas se eu for colocar todos os que eu gostei, não vou acabar nunca.

Também há os que começam a fazer coisas diferentes, como esta, e há os que rotacionam em torno do zênite, fazendo túneis assim.

Aqui tem um video de uma divulgação de um evento, que usa alguns planetinhas.

É isso, só queria compartilhar com vocês.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Ser designer - parte II

Vou começar citando a Marina, porque ela escreveu uma coisa que venho sentindo desde que voltei pro mundo blog, e espelho completamente seus sentimentos:

"Hoje eu li o blog da minha irmã e resolvi deixar um comentário. É meio engraçado como mesmo que não nos encontremos ou conversemos tanto assim sinto que nós duas estamos sempre em sincronia. Vivemos coisas diferentes, tomamos decisões diferentes, mas eu quase sempre me identifico muito com o que ela pensa. É meio difícil isso de estar tão próxima de alguém que tem uma vida diferente. Acho que é difícil não querer às vezes estar na pele dela. É claro que sinto esse tipo de coisa em relação a todas as pessoas que admiro, mas é mais freqüente neste caso."

E vou continuar comentando no que ela disse no blog dela. Isso é pra Mali, para meus amigos designers ou arquitetos, para minha família, ou qualquer um que se interesse.

Sou péssima em projeto.

Sou mesmo. Eu me acho inteligente, tudo bem, e acho que consigo enxergar as coisas de pontos de vistas variados, gosto muito de pensar nos processos e nas pessoas, acabo fazendo projetos porque preciso (no escritório ou na vida). But I suck at it. Sou boa analista, consigo chegar em um programa razoável, consigo enxergar consistência ou não, posso pensar em dez formas diferentes de resolver um problema - mas não consigo sair de uma folha em branco sem me forçar às lágrimas. Quando começo, preciso criar umas 15 opções que são tudo - feias, desajeitadas, molengas, inadequadas, completamente erradas, sem graça, sem vida, parece a mesa de centro da bisavó, ou então é amalucado sem razão de ser, inconsistente. Preciso desenhar sem pensar (e aliás não desenho bem), e preciso olhar para os desenhos sem avaliar muito - ou acabo desistindo. Até chegar em uma solução que eu não deteste.

Projeto é uma tortura infinita.

Depois, com avaliação do orientador (teve um que chegou a rabiscar coisas no meu desenho), fica mais fácil, pois entro na parte que eu consigo fazer - avaliar, pesar critérios, modificar, melhorar. E mesmo assim, cada vez que isso significa uma reestruturação do desenho, é penoso. Nunca tão penoso quanto o começo, mas ainda assim horrível.

Só consegui levar a FAU porque a maioria dos trabalhos era em grupo, ou ao menos duplas. Com feedback, com outras pessoas para dar pitaco e rabiscar junto, tudo fica infinitamente mais fácil. Ou seja, fica até factível. Mas, como eu disse no sábado, prefiro não projetar. Prefiro usar o que eu sei fazer, e aquilo no qual me considero até boa - coordenar, pegar as idéias boas e organizar, resolver problemas, trabalhar com gente, não com o projeto em si.

Vou dizer que era frustrante ver os outros alunos com desenhos razoáveis em algumas horas, e eu conseguindo definir uma planta que prestava depois de semanas. Muitas vezes pensei em desistir. Só não desisti porque tinha o Alex, as pessoas, e eu ainda acho projeto uma coisa linda. Mas tudo bem - eu sempre soube que arquitetura seria difícil - sempre. Escolhi o curso porque era algo em que eu teria dificuldade - e muitas vezes me arrependi. Fugir do seu talento nem sempre é a melhor idéia, nem para você, nem para o mundo.

Não que eu não tenha me encontrado lá, de certa forma. Mesmo dentro do paisagismo - cujo desenho é uma derivação quase direta do programa - o que facilita muito. Só espero conseguir cantar na minha própria nota. Não busco mais nada. (como se fosse pouco...)

sábado, 10 de abril de 2010

Ser designer

Sabe, arquiteto é um tipo de designer. Ou melhor, arquitetura foi a origem do design, e com o tempo as pessoas descobriram que dá para formar designers sem precisar ensinar toda a carga de coisas que só servem para arquitetura.

É engraçado quando a gente percebe que nossos amigos muitas vezes não sabem para que servimos. Quer dizer, todo mundo já veio me falar que um dia eu vou projetar a casa deles, claro, e obviamente eu concordei. Ou para fazer reformas. Beleza.

Mas o que muitos não sabem é que nós também podemos projetar seu site, seu livro, sua revista, sua embalagem, até mesmo seu software ou sua estrutura empresarial. Fizemos uma faculdade de projeto para isso. Não que eu entenda muito de estrutura empresarial, mas passei anos aprendendo a pensar nas pessoas, nos processos humanos, aprendendo a processar o máximo de informações possíveis para desenvolver idéias, aprendendo a sintetizar conhecimentos para criar projetos, aprendendo a trabalhar em grupo, aprendendo processos de projeto.

Lógico, cada pessoa tem seu jeito de lidar com as coisas. Há arquitetos formados que são excelentes em acompanhar obras, outros que são bons em projetar residências, outros que se especializam em design gráfico, outros que são fotógrafos. Mas teoricamente todos sabem projetar, a mudança do tema só muda a velocidade na qual o projeto anda, e o número de pessoas na equipe (projetar uma residência é relativamente rápido - pois todas as informações estão na nossa cabeça - já projetar um estádio requer estudo e possivelmente consultas a especialistas do esporte, de estruturas metálicas, etc).

Lógico - quanto mais conhecimento acumulado na sua cabeça, mais você amplia a sua gama de prática de projeto.

Particularmente, eu não faço questão de projetar de fato - preferia ser coordenadora de projetos, talvez até arquiteta da informação.

O engraçado de hoje foi - uma amiga precisava de uma opinião alheia sobre uma revista, e, nenhuma de nós tinha notado antes, havia três designers capacitadas para dar opiniões informadas. Duas arquitetas e uma publicitária. Engraçado como ela não tinha pensado que podíamos servir para isso. Acho que nem nós tínhamos, até que ela mostrou a revista para nós e os genes designers vieram à tona.

É legal descobrir que podemos fazer por nossos amigos mais do que eles até pensariam.

Beijos.